Como todo jovem da década de 60 eu já acreditei em muita coisa que depois passei a desacreditar, ou, pelo menos, não dar tanta importância. Por exemplo, eu já toquei ao contrário aqueles discos de vinil e já ouvi em diversas músicas, letras que evocavam adoração ao diabo. Já acreditei que a maioria das bandas de rock eram formadas por adoradores do demônio, e por aí vai.
Hoje já não acredito nisso ou, pelo menos, não acredito que as coisas são exatamente assim. Acho que tem muita coisa boa onde há tempos atrás eu só via lixo. Acho que, como jovem nascido num lar evangélico, me deixei levar pelo discurso do confronto obrigatório entre Deus e o diabo em todas as situações em que não se conseguia explicar o motivo e razão das coisas.
Mas também descobri que, para se encontrar o que é absolutamente maléfico em nosso cotidiano, não precisamos mais tocar ao contrário os nossos “vinis”, ou cd’s modernos. As coisas hoje são feitas escancaradas mesmo, sem nenhum intuito de esconder o que os adoradores do “demo” pregam como sendo uma coisa boa ou normal. Como ouvi certa vez de um pastor: “O mal que há entre nós não necessariamente precisa de uma fogueira para se aquecer. Às vezes basta apenas um palito de fósforo”. Sabem que lição tirei dessa frase? Que as forças do anti-reino muitas vezes não precisam de bombas para destruir, bastam apenas palavras. Por isso, fiz questão de copiar integralmente a letra desta música dos Titãs para que você mesmo analise e tire suas conclusões. Não sou contra eles, apesar de achar que eles estão fora de moda há tempos, mas a letra desta música, na melhor das hipóteses não nos acrescenta em nada... na pior delas é um lixo!
Se alguém quer mesmo que a vida seja um inferno ou uma cela de prisão, é porque talvez admita que lá é um lugar bem melhor que o paraíso. E como sou cristão, servo do Deus altíssimo, prefiro o avesso dessas coisas para poder saborear o que de melhor existe na graça de Deus.
PELO AVESSO – TITÃS
Vamos deixar que entrem
Que invadam o seu lar
Pedir que quebrem
Que acabem com seu bem-estar
Vamos pedir que quebrem
O que eu construí pra mim
Que joguem lixo
Que destruam o meu jardim
Eu quero o mesmo inferno
A mesma cela de prisão,
A falta de futuro
Eu quero a mesma humilhação
A falta de futuro
Vamos deixar que entrem
Que invadam o meu quintal
Que sujem a casa
E rasguem as roupas no varal
Vamos pedir que quebrem
Sua sala de jantar
Que quebrem os móveis
E queimem tudo o que restar
Eu quero o mesmo inferno
A mesma cela de prisão,
A falta de futuro
Eu quero a mesma humilhação
A falta de futuro
Eu quero o mesmo inferno,
A mesma cela de prisão
A falta de futuro,
O mesmo desespero
Vamos deixar que entrem
Como uma interrogação
Até os inocentes
Aqui já não tem perdão
Vamos pedir que quebrem
Destruir qualquer certeza
Até o que é mesmo belo
Aqui já não tem beleza
Vamos deixar que entrem
E fiquem com o que você tem
Até o que é de todos
Já não é de ninguém
Pedir que quebrem
Mendigar pelas esquinas
Até o que é novo
Já esta em ruínas
Vamos deixar que entrem
Nada é como você pensa
Pedir que sentem
Aos que entraram sem licença
Pedir que quebrem
Que derrubem o meu muro
Atrás de tantas cercas
Quem é que pode estar seguro?